terça-feira, 10 de julho de 2007

Crônica, na visão de Lourenço Diaféria

Lourenço Diaféria traduz com sentimento e paixão o sentido brasileiríssimo da crônica:

"A crônica é a reinvenção da lua abstraída das violações científicas e espaciais, é a metafísica dos postes e das azaléias, é a lupa que permite confirmar com a palavra escrita, se o sabonete Palmolive continua a abrir os poros e manter a pele leve e acetinada. A crônica existe para dar credulidade aos jornais, saturados de notícias reais demais para serem levadas a sério. A crônica descobre as pessoas no meio da multidão de leitores. Ela revela ao distinto público que, atrás do botão eletrônico, existe um baixinho resfriado e de nariz pingando, que assoa e vocifera. A crônica serve para mostrar o outro lado de tudo - dos palanques, das torres, de eclipses, das enchentes, dos barracos, do poder e da majestade. Ela não consta no periódico por condescendência. A crônica é a lágrima, o sorriso, o aceno, a emoção, o berro, que não tem estrutura para se infiltrar como notícia, reportagem, editorial, comentário ou anúncio publicitário no jornal. E, contudo, é um pouco de tudo isso."

Diaféria, Lourenço. Depoimento - Escritor Brasileiro/81. Secretaria Municipal de Cultura, São Paulo, 1981.

Algumas características da crônica

  • Ligada à vida cotidiana;
  • Narrativa informal, intimista;
  • Uso da oralidade na escrita: linguagem coloquial;
  • Sensibilidade no contato com a realidade;
  • Olhar diferenciado;
  • Uso do fato como meio ou pretexto para o artista exercer seu estilo e criatividade;
  • Dose de lirismo;
  • Natureza ensaística;
  • Leveza;
  • Diz coisas sérias por meio de uma aparente conversa fiada;
  • Uso do humor;
  • Brevidade;
  • Está sujeita à rápida transformação e à fugacidade da vida moderna.

Ortografia - introdução

O que é?

A palavra ortografia é formada por "orto" (do grego = direito, exato, reto) e "grafia" (= ação de escrever, escrever). Ortografia, portanto, significa ação de escrever direito.

Nosso alfabeto é composto de 23 letras:

a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, x, z

E as letras w, y e k?

Elas não pertencem mais ao nosso alfabeto.
São usadas apenas em casos especiais:

Nomes próprios estrangeiros
Ex.: Wellington, William....

Abreviaturas e símbolos de uso internacional
Ex.: K = potássio,Y = ítrio...

Palavras estrangeiras Ex.: show, play...

Ortografias oficiais da Língua Portuguesa

Atualmente o português não tem só uma, mas duas ortografias oficiais. A norma ortográfica portuguesa é usada em todos os países de língua portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) exceto no Brasil, que segue norma própria.

Há esforços em curso para resolver este problema e criar uma ortografia única.

As principais diferentes ortográficas entre o Brasil e Portugal estão nas consoantes mudas (as que não são articuladas) que, no Brasil, já foram eliminadas da escrita, enquanto em Portugal algumas ainda sobrevivem.



Além disso...

Subsistem, também, diferenças na acentuação de certas palavras (no Brasil, palavras como idôneo ou anônimo têm sílaba tônica fechada, enquanto que em Portugal e África são abertas, idóneo e anónimo) e no uso do trema (no Brasil, é colocado um trema sobre o "u" em palavras como cinqüenta e lingüiça para indicar que deve ser articulado, enquanto que nos restantes países lusófonos escreve-se simplesmente cinquenta e linguiça).

Ortografia - g/j

Usos de j

a) Escreve-se com j a conjugação dos verbos terminados em JAR:

Viajar = ...que eles viajem
Encorajar = para que eles se encorajem
Enferrujar = que não se enferrujem as portas

b) Escrevem-se com j as palavras derivadas de vocábulos terminados em JA:

loja = lojista
canja = canjica
sarja = sarjeta
gorja = gorjeta
c) Escrevem com j as palavras de origem tupi-guarani.

Jiló
Jibóia
Jirau

Usos de g

a) Escrevem-se com g as palavras terminadas em ÁGIO, ÉGIO, ÍGIO, ÓGIO, ÚGIO:

pedágio
sacrilégio
prestígio
relógio
refúgio

b) Escrevem-se com g os substantivos terminados em GEM:

a viagem
a coragem
a ferrugem

Exceções: pajem, lambujem

Para praticar - ortografia

145 exercícios de ortografia em

http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=exercicios/conc1000/docs/ortografiaex

Site do Prof. Hélio Consolaro

Algumas curiosidades ortográficas

Haja vista ou haja visto?

Apenas a primeira opção é correta, porque a palavra "vista", nessa expressão, é invariável.

Haja vista o trágico acontecimento... (hajam vista os acontecimentos...)

Em vez de ou ao invés de?

A expressão em vez de significa em lugar de. (Hoje, Pedro foi em vez de Paulo. / Em vez de você, vou eu para Petrópolis.)

A expressão ao invés de significa ao contrário de. (Ao invés de proteger, resolveu não assumir. / Ao invés de melhorar, sua atitude piorou a situação.)

Se não ou senão?

Emprega-se o primeiro, quando o se pode ser substituído por caso ou na hipótese de que.

Se não chover, viajarei amanhã (= caso não chova - ou na hipótese de que não chova, viajarei amanhã).

Se não se tratar dessa alternativa, a expressão sempre se escreverá com uma só palavra: senão.

Vá de uma vez, senão você vai se atrasar. (senão = caso contrário). / Nada mais havia a fazer senão conformar-se com a situação (senão = a não ser). / "As pedras achadas pelo bandeirante não eram esmeraldas, senão turmalinas, puras turmalinas" (senão = mas). / Não havia um senão naquele rapaz. (senão = defeito).

Haver ou ter?

Embora usado largamente na fala diária, a gramática não aceita a substituição do verbo haver pelo ter.

Deve-se dizer, portanto, não havia mais leite na padaria.

Há ou a?

Quando nos referimos a um determinado espaço de tempo, podemos escrever há ou a, nas seguintes situações:

Há - quando o espaço de tempo já tiver decorrido. (Ela saiu há dez minutos.)

A - quando o espaço de tempo ainda não transcorreu. (Ela voltará daqui a dez minutos.)

Ao encontro de ou de encontro a?

Ao encontro de - quer dizer favorável a, para junto de. (Vamos ao encontro dos nossos amigos. / Isso vem ao encontro dos anseios da turma.)

De encontro a - quer dizer contra. (Um automóvel foi de encontro a outro. / Este ato desagradou aos funcionários, porque veio de encontro às suas aspirações.)

A cerca de, acerca de ou há cerca de?

A cerca de significa a uma distância. (Teresópolis fica a cerca de uma hora de carro do Rio.)

Acerca de - significa sobre. (Conversamos acerca de política.)

Há cerca de – significa que faz ou existe(m) aproximadamente. (Mudei-me para este apartamento há cerca de oito anos. / Há cerca de doze mil candidatos, concorrendo às vagas.)

A par ou ao par?

A expressão ao par significa sem ágio no câmbio. Portanto, se quisermos utilizar esse tipo de expressão, significando ciente, deveremos escrever a par.

Fiquei a par dos fatos. / A moça não está a par do assunto.

A fim ou afim?

Escrevemos afim, quando queremos dizer semelhante.
(O gosto dela era afim ao da turma.)

Escrevemos a fim (de), quando queremos indicar finalidade.
(Veio a fim de conhecer os parentes. / Pensemos bastante, a fim de que respondamos certo. / Ela não está a fim do rapaz.)

segunda-feira, 18 de junho de 2007

ProUni divulga nome dos alunos pré-selecionados para receber bolsas


O MEC (Ministério da Educação) anunciou nesta quinta-feira a lista com o nome dos alunos pré-selecionados para receberem bolsas de estudos em instituições de ensino superior particulares por intermédio do ProUni (Programa Universidade Para Todos). O resultado pode ser conferido no site http://prouni-inscricao.mec.gov.br/prouni.

É necessário informar o número do CPF (Cadastro de Pessoa Física) e o de inscrição no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) do concorrente.

Segundo o MEC, o candidato deve procurar a instituição para a qual foi pré-selecionado com os documentos que comprovem as informações prestadas na ficha de inscrição entre a próxima segunda-feira (dia 18 de junho) até o dia seis de julho.

Quem foi selecionado para bolsa integral precisa comprovar renda familiar por pessoa de até um salário mínimo e meio (R$ 570). Para a bolsa parcial, de 50% do valor da mensalidade, a renda familiar por pessoa deve ser de até três salários mínimos (R$ 1.140).

O MEC informa ainda que a perda do prazo ou a não comprovação das informações por parte do candidato podem significar a reprovação. Em alguns casos, ainda segundo o ministério, algumas instituições submetem os candidatos pré-selecionados a um processo seletivo próprio, que pode ser diferente do vestibular.

Essa informação é fornecida ao candidato no momento da inscrição. Nesse caso, a instituição deverá comunicar o candidato pré-selecionado, com o prazo mínimo de 48 horas após seu comparecimento à instituição, e informá-lo a respeito dos critérios de aprovação. A instituição está proibida de cobrar taxas caso submeta o aluno pré-selecionado no ProUni a um processo próprio de seleção.

Repescagem

Se depois do período de confirmação ainda houver vagas disponíveis, devido à ausência de comprovação dos pré-requisitos dos primeiros pré-selecionados, o MEC divulgará uma segunda lista de alunos convocados a partir do dia 18 de julho.

Os bolsistas do Prouni deverão apresentar bom desempenho acadêmico para manter as bolsas. É necessário ter aproveitamento em, no mínimo, 75% das disciplinas cursadas em cada período.


Fonte: Folha Online

domingo, 17 de junho de 2007

Por que, por quê, porque ou porquê?

Melhor do que ninguém, deixo o Prof. Pasquale Cipro Neto nos ensinar o uso dos porquês:

Certa vez alguém me perguntou sobre o acento circunflexo presente num título de uma revista ("Você tem cheiro de quê?"). O acento é correto, já que esse "quê", que encerra uma frase interrogativa direta, é emitido tonicamente. Releia a frase: "Você tem cheiro de quê?". Percebeu? Quando vem no meio da frase, o "que" normalmente é átono, ou seja, fraco, e é emitido por boa parte dos brasileiros como se fosse "qui": "Quero o que você quiser". Notou? Quando emitido tonicamente, o "que" é acentuado, por ser monossílabo tônico terminado em "e". Isso normalmente ocorre quando o "que" encerra a oração.

Há outras situações em que se deve acentuar o "que", o que ocorre, por exemplo, quando a palavrinha tem valor de substantivo ("Ela tem um quê de magia") ou de interjeição ("Quê! Vocês por aqui?").

A pergunta que me fizeram sobre o título da revista me fez lembrar que é imensa a pilha de cartas de leitores que querem saber quando usar "por que", "porque", "por quê" e "porquê". Já tratei do assunto há um bom tempo, mas sempre vale a pena voltar a ele.

Aviso logo que o que vigora no Brasil não vigora em Portugal, quando o assunto é "por que", "porque" etc. Se você estiver lendo Saramago, por exemplo, esqueça o que verá neste texto. Não me parece que seja o caso de ver agora como se usa isso em Portugal. Esqueça também (e completamente) aquela velha história de que só se escreve "por que" ("separado", como se diz) quando há ponto de interrogação, e só se escreve "porque" ("junto", como se diz) quando não há ponto de interrogação.

Posto isso, vamos lá. Há basicamente dois casos em que se usa "por que". Num deles, pouco comum, temos a equivalência com as expressões "pelo/a qual", "pelos/as quais": "São indescritíveis os caminhos por que (= pelos quais) tivemos de passar"; "As teses por que (= pelas quais) luto nem sempre são compreendidas". No outro caso, o "por que" equivale a "por que razão", "por qual razão": "Por que (= por que razão, por qual razão) no Brasil não se consegue criar uma sociedade mais justa e equilibrada?"; "Faço questão de saber por que (= por que razão, por qual razão) você é tão áspero com ela".

Já o "porque" ("junto") introduz explicação ou causa do que se afirma: "Não vou porque estou doente"; "Não voto nele porque seus projetos sociais são pífios".

Como já afirmei, não é a presença (ou a ausência) do ponto de interrogação o que decide se é "junto" ou "separado". Veja este caso: "Você não foi porque estava doente?". O que se pergunta não é por que a pessoa estava doente, mas, sim, se a doença foi o motivo, a causa da ausência dessa pessoa. É por isso que, mesmo com ponto de interrogação no fim da frase, esse "porque" é "junto".

Note que às vezes é justamente a grafia ("junto" ou "separado") o que decide o sentido da frase: "Ninguém sabe por que ele não explicou"; "Ninguém sabe porque ele não explicou". No primeiro caso, ninguém sabe por qual razão ele não explicou, ou seja, desconhece-se o motivo de ele não ter explicado. No segundo, muda tudo. O fato de ele não ter explicado é o motivo de ninguém saber, isto é, as pessoas saberiam se ele tivesse explicado; como ele não explicou, continuaram sem saber.

E quando se coloca acento em "por que" e "porque"? É simples. No primeiro caso, basta que a oração termine ali: "Por quê?"; "Ele não vai, e ninguém sabe por quê". É "separado" porque equivale a "por qual razão" ("Por qual razão?"; "Ele não vai, e ninguém sabe por qual razão/por que razão"); é acentuado pelas mesmas razões que você viu no início do texto, quando da explicação do título da revista ("Você tem cheiro de quê?").

Para acentuar "porque" ("junto"), é preciso que essa palavra seja substantivo. Nesse caso, normalmente "porquê" acaba sendo sinônimo de "motivo", "causa": "Não entendemos o porquê (= motivo, a causa) da demissão do ministro"; "Ele não revelou o porquê (= o motivo, a causa) da renúncia".

Se você gosta de "curto e grosso", talvez seja possível resumir a história assim: quando equivale a "pelo/a qual", "pelos/as quais" ou a "por que razão", "por qual razão", grafa-se "por que" (com acento, se a oração terminar ali). Quando não, grafa-se "porque" (com acento, se for substantivo).

Não custa lembrar que é preciso tomar cuidado com o que se vê por aí em cartazes, rótulos, faixas, avisos públicos, textos publicitários etc. Muitas vezes, o que tinha de ser junto vem separado, e o que tinha de ser separado vem junto.

Coesão

É a organização entre os elementos que articulam as idéias de um texto.

Exemplo:

* Não coeso:

Ele é muito estudioso, porém sempre tira notas boas.

* Coeso:

Ele é muito estudioso, por isso sempre tira notas boas.

Conectivos

Conectivos ou elementos de coesão são todas as palavras ou expressões que servem para estabelecer elos, para criar relações entre segmentos do discurso, tais como: então, portanto, já que, com efeito, porque, ora, mas, assim, daí, aí, dessa forma, isto é, embora e tantas outras.
Veja o exemplo:

Israel possui um solo árido e pouco apropriado à agricultura, porém chega a exportar certos produtos agrícolas.

No caso, faz sentido o uso do porém, já que entre os dois segmentos ligados existe uma contradição. Seria descabido permutar o porém pelo porque, que serve para indicar causa.

Relação dos principais elementos de coesão:

1) assim, desse modo: têm um valor exemplificativo e complementar.

A seqüência introduzida por eles serve normalmente para explicitar, confirmar ou ilustrar o que se disse antes.

O Governador resolveu não comprometer-se com nenhuma das facções em disputa pela liderança do partido. Assim, ele ficará à vontade para negociar com qualquer uma que venha a vencer.

2) e: anuncia o desenvolvimento do discurso e não a repetição do que foi dito antes; indica uma progressão que adiciona, acrescenta, algum dado novo. Se não acrescentar nada, constitui pura repetição e deve ser evitada. Ao dizer:

Tudo permanece imóvel e fica sem se alterar.

3) ainda: serve, entre outras coisas, para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão, ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto qualquer.

O nível de vida dos brasileiros é baixo porque os salários são pequenos. Convém lembrar ainda que os serviços públicos são extremamente deficientes.

4) aliás, além do mais, além de tudo, além disso: introduzem um argumento decisivo, apresentado como acréscimo, como se fosse desnecessário, justamente para dar o golpe final no argumento contrário.

Os salários estão cada vez mais baixos porque o processo inflacionário diminui consideravelmente seu poder de compra. Além de tudo são considerados como renda e taxados com impostos.

5) isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras: introduzem esclarecimentos, retificações ou desenvolvimento do que foi dito anteriormente.

Muitos jornais, fazem alarde de sua neutralidade em relação aos fatos, isto é, de seu não comprometimento com nenhuma das forças em ação no interior da sociedade.


6) mas, porém e outros conectivos adversativos: marcam oposição entre dois enunciados ou dois segmentos do texto. Não se podem ligar, com esses relatores, segmentos que não se opõem. Às vezes, a oposição se faz entre significados implícitos no texto.

Choveu na semana passada, mas não o suficiente para se começar o plantio.

7) embora, ainda que, mesmo que: são relatores que estabelecem ao mesmo tempo uma relação de contradição e de concessão. Servem para admitir um dado contrário para depois negar seu valor de argumento.

Trata-se de um expediente de argumentação muito vigoroso: sem negar as possíveis objeções, afirma-se um ponto de vista contrário.
Observe o exemplo:
Ainda que a ciência e a técnica tenham presenteado o homem com abrigos confortáveis, pés velozes como o raio, olhos de longo alcance e asas para voar, não resolveram o problema das injustiças.
Como se nota, mesmo concedendo ou admitindo as grandes vantagens da técnica e da ciência, afirma-se uma desvantagem maior.

O uso do embora e conectivos do mesmo sentido pressupõe uma relação de contradição, que, se não houve, deixa o enunciado descabido.
Exemplo:

Embora o Brasil possua um solo fértil e imensas áreas de terras plantáveis, vamos resolver o problema da fome.

8. Certos elementos de coesão servem para estabelecer gradação entre os componentes de uma certa escala. Alguns, como mesmo, até, até mesmo, situam alguma coisa no topo da escala; outros, como ao menos, pelo menos, no mínimo, situam-na no plano mais baixo.

O homem é ambicioso. Quer ser dono de bens materiais, da ciência, do próprio semelhante, até mesmo do futuro e da morte.

ou

É preciso garantir ao homem seu bem-estar: o lazer, a cultura, a liberdade, ou, no mínimo, a moradia, o alimento e a saúde.

Às vezes o conectivo tem seu uso inadequado de forma proposital, que revela um preconceito ou uma ironia. Mário Amato, ex-presidente da Fiesp, referiu-se à ex-ministra Dorothea Werneck desta forma:

Ela é mulher, mas é capaz. (Ironia)

Conexão

Além da constante referência entre palavras do texto, observa-se na coesão a propriedade de unir termos e orações por meio de conectivos, que são representados, na Gramática, por inúmeras palavras e expressões.

A escolha errada desses conectivos pode ocasionar a deturpação do sentido do texto.

Abaixo, uma lista dos principais elementos conectivos, agrupados pelo sentido.
Baseada no autor Othon Moacyr Garcia ("Comunicação em Prosa Moderna").

Prioridade, relevância:

em primeiro lugar, antes de mais nada, antes de tudo, em princípio, primeiramente, acima de tudo, precipuamente, principalmente, primordialmente, sobretudo, a priori (sempre em itálico), a posteriori (sempre em itálico).

Tempo (freqüência, duração, ordem, sucessão, anterioridade, posterioridade):

então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princípio, no momento em que, pouco antes, pouco depois, anteriormente, posteriormente, em seguida, afinal, por fim, finalmente agora atualmente, hoje, freqüentemente, constantemente às vezes, eventualmente, por vezes, ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simultaneamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, nesse hiato, enquanto, quando, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim que, desde que, todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal, nem bem.

Semelhança, comparação, conformidade:

igualmente, da mesma forma, assim também, do mesmo modo, similarmente, semelhantemente, analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de conformidade com, de acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual, tanto quanto, como, assim como, como se, bem como.

Condição, hipótese:


se, caso, eventualmente.

Adição, continuação:

além disso, demais, ademais, outrossim, ainda mais, ainda cima, por outro lado, também, e, nem, não só ... mas também, não só... como também, não apenas ... como também, não só ... bem como, com, ou (quando não for excludente).

Dúvida:

talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é provável, não é certo, se é que.

Certeza, ênfase:

decerto, por certo, certamente, indubitavelmente, inquestionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com toda a certeza.

Surpresa, imprevisto:

inesperadamente, inopinadamente, de súbito, subitamente, de repente, imprevistamente, surpreendentemente.

Ilustração, esclarecimento:

por exemplo, só para ilustrar, só para exemplificar, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber, ou seja, aliás.

Propósito, intenção, finalidade:

com o fim de, a fim de, com o propósito de, com a finalidade de, com o intuito de, para que, a fim de que, para.

Lugar, proximidade, distância:

perto de, próximo a ou de, junto a ou de, dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali, este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo, ante, a.

Resumo, recapitulação, conclusão:

em suma, em síntese, em conclusão, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, desse modo, logo, pois (entre vírgulas), dessarte, destarte, assim sendo

Causa e conseqüência. Explicação:


por conseqüência, por conseguinte, como resultado, por isso, por causa de, em virtude de, assim, de fato, com efeito, tão (tanto, tamanho) ... que, porque, porquanto, pois, já que, uma vez que, visto que, como (= porque), portanto, logo, que (= porque), de tal sorte que, de tal forma que, haja vista.


Contraste, oposição, restrição, ressalva:

pelo contrário, em contraste com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto, embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, posto, conquanto, se bem que, por mais que, por menos que, só que, ao passo que.

Idéias alternativas:

Ou, ou... ou, quer... quer, ora... ora.

Conexão de frases

Conexões entre frases geram períodos. As frases participantes de uma conexão são aceitáveis quando observadas isoladamente, exceto no caso específico das que apresentam verbo flexionado no modo subjuntivo. Vejamos um exemplo:

Ele acordou cedo e saiu para o trabalho.

São aceitáveis as frases desmembradas do período acima tomadas isoladamente:

Ele acordou cedo.
(Ele) Saiu para o trabalho.


As frases de uma conexão são sintaticamente independentes. A conexão é um elo semântico entre as frases que se estabelece pelo conectivo.
No exemplo anterior, as frases se ligam pelo conectivo e, que estabelece entre as duas uma relação semântica de adição lógica. Entende-se que os fatos relatados pertencem a uma mesma cadeia de acontecimentos sucessivos. Vejamos outro exemplo:
Ficou rico, mas não era feliz.

No exemplo, temos duas frases sintaticamente independentes, mas que do ponto de vista semântico e segundo a opinião do emissor, contrastam entre si. Ao conectar as duas frases pelo conectivo mas, o emissor quis passar a idéia de que uma vez rico, espera-se que seja feliz.

A conexão de frases é feita por razões semânticas. As conexões agregam sentido ao enunciado. Percebemos isso claramente na série a seguir:

Ele estuda gramática e escreve bem.
Ele estuda gramática, mas escreve bem. (Ironia)
Ele estuda gramática, logo escreve bem.

Comutatividade

Algumas conexões de frases são comutativas, outras não. Vejamos dois exemplos:

Penso, logo existo.
Existo, logo penso.


Pedro é arquiteto e Antônio é engenheiro.
Antônio é engenheiro e Pedro é arquiteto.


No primeiro par de frases, a comutação provoca uma alteração de sentido no período. No segundo par, não há restrição semântica de se comutar as frases.

A comutatividade das conexões de frase depende essencialmente da natureza do conectivo. O conectivo logo, por exemplo, não admite comutação, enquanto o conectivo e é tipicamente comutativo.

A comutatividade é limitada, em alguns casos, por razões semânticas.
Por exemplo:

Acordou cedo, tomou café e partiu para o serviço.

Soa estranho comutar as frases conectadas do exemplo.

Partiu para o serviço, tomou café e acordou cedo.

A limitação para a comutação, nesse caso, vem da expectativa que temos de encontrar as frases em uma ordem cronológica de desenrolar dos fatos.