quinta-feira, 22 de maio de 2008

Evocação do Recife

[Charge por Liberati]
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada

Manuel Bandeira, “Evocação do Recife” (fragmento), publicado em “Estrela da vida inteira”.

Não tem tradução


[Cena de "O cantor de Jazz" (1927), com Al Johnson, considerado o primeiro filme com uma seqüência falada na História do Cinema]

O cinema falado
É o grande culpado
Da transformação
Dessa gente que sente
Que um barracão
Prende mais que um xadrez.
Lá no morro, se eu fizer uma falseta,
A Risoleta
Desiste logo do francês e do inglês.

A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou.
Mais tarde o malandro deixou de sambar
Dando pinote
E só querendo dançar o fox-trot!

Essa gente hoje em dia
Que tem a mania
Da exibição
Não se lembra que o samba
Não tem tradução
No idioma francês.
Tudo aquilo que o malandro pronuncia,
Com voz macia,
É brasileiro, já passou de português.
Amor lá no morro, é amor para chuchu
As rimas do samba não são “I love you”
E esse negócio de “alô", "alô, boy”,
“Alô, Johnny”
Só pode ser conversa de telefone.


Nota explicativa: Ao contrário do citado em aula, a autoria da canção é apenas de Noel Rosa - letra e música. Em "Noel pela Primeira Vez", magnífico trabalho de pesquisa de Omar Jubran, está o esclarecimento. "Por contrato com a gravadora Odeon, erroneamente consta do selo no disco original os nomes de Francisco Alves e Ismael Silva como co-autores. A gravação apresentada em aula é justamente do cantor Francisco Alves, acompanhado pela Orquestra Copacabana em agosto de 1933 - primeiro registro da música.

Questão sobre a canção

Vestibular da Unesp (1999)

Leia os versos da canção e responda.

"O cinema falado
É o grande culpado
Da transformação
Dessa gente que sente
Que um barracãoPrende mais que um xadrez.(...)
Amor, lá no morro, é amor pra chuchu,
As rimas do samba não são 'I love you'.
E esse negócio de 'alô, alô, boy','Alô, Johnny',
Só pode ser conversa de telefone.'

(Noel Rosa. Cinema falado, 1933.)

Os versos do compositor Noel Rosa refletem uma crítica. Eles expressam

a) a ausência das inovações tecnológicas estrangeiras na difusão da cultura popular brasileira.
b) a influência do jazz norte-americano no ritmo e nas letras do samba.
c) a expansão da dominação cultural norte-americana e a desvalorização da cultura popular nacional.
d) a resistência da arte popular quanto às inovações tecnológicas, especialmente o cinema falado e o rádio.
e) o predomínio da música estrangeira em substituição ao samba autenticamente nacional.

Noel Rosa


Para quem quiser saber um pouco mais sobre o compositor Noel Rosa:



quarta-feira, 21 de maio de 2008

A Divina Comédia (La Divina Commedia)



[Dante e Virgílio, ilustração de Gustave Doré]

Inferno, Canto I

Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura ,
ché la diritta via era smarrita.

Ahi quanto a dir qual era è cosa dura
esta selva selvaggia e aspra e forte
che nel pensier rinova la paura!

Tant'è amara che poco è più morte;
ma per trattar del ben ch'i' vi trovai,
dirò de l'altre cose ch'i' v'ho scorte.

Dante Alighieri

Escrito entre 1307 e a sua morte em 1321, é um poema épico, berço da Literatura e da Língua Italianas.

Leia agora duas traduções deste excerto de Dante:
Tradução de Italo Eugenio Mauro

A meio caminhar de nossa vida
fui me encontrar em uma selva escura:
estava a reta minha via perdida.

Ah! que a tarefa de narrar é dura
essa selva selvagem, rude e forte,
que volve o medo à mente que a figura.

De tão amarga, pouco mais lhe é a morte,
mas, para tratar do bem que enfim lá achei,
direi do mais que me guardava a sorte.

::

Tradução de Cristiano Martins

A meio do caminho desta vida
achei-me a errar por uma selva escura,
longe da boa via, então perdida.

Ah! Mostrar qual a vi é empresa dura,
essa selva selvagem, densa e forte,
que ao relembrá-la a mente se tortura!

Ela era amarga, quase como a morte!
Para falar do bem que ali achei,
de outras coisas direi, de vária sorte,

Nel Mezzo del Camin...

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

Soneto de Olavo Bilac

O que é Intertextualidade?

Na literatura relativa à Lingüística Textual, é freqüente apontar-se como um dos fatores de textualidade a referência - explícita ou implícita - a outros textos, tomados estes num sentido bem amplo (orais, escritos, visuais - artes plásticas, cinema, música, propaganda etc.). A esse “diálogo”entre textos dá-se o nome de intertextualidade.

Evidentemente, a intertextualidade está ligada ao “conhecimento de mundo”, que deve ser compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos.
Maria Christina de Motta Maia
Faculdade de Letras/UFRJ

Observe no texto anterior a citação explícita, logo no título, às palavras que iniciam o primeiro verso do Canto I do Inferno de Dante - "Nel mezzo del camin...". Veja o trecho original do poeta italiano e duas traduções para o português. Em seguida, leia o poema do modernista Carlos Drummond de Andrade que ironiza o soneto de Bilac. Percepa a riqueza do diálogo que ocorre entre as três obras.
Pode-se destacar vários tipos de intertextualidade:

Epígrafe (do grego epi = em posição su-perior + graphé = escrita) - constitui uma escrita introdutória a outra. Geralmente é uma citação utilizada na abertura de um texto.
A "Canção de Exílio", poema de Gonçalves Dias, traz versos introdutórios do poeta alemão Goethe, com a seguinte tradução: “Conheces o país onde florescem as laranjeiras? Ardem na escura fronde os frutos de ouro... Conhecê-lo? Para lá , para lá quisera eu ir!”
A epígrafe e o poema mantêm um diálogo, pois ambos possuem características românticas, pertencem ao gênero lírico e têm caráter nacionalista.
Citação - é uma transcrição do texto alheio, marcada por aspas ou pelo discurso indireto ("segundo Shakespeare", "de acordo com fulano").
Paráfrase - é a reescrita de um texto nas palavras do autor. Ela não se confunde com o plágio, pois quem parafraseia deixa clara sua intenção e a fonte (ainda que não a cite explicitamente).
Paródia - "é uma forma de apropriação que, em lugar de endossar o modelo retomado, rompe com ele, sutil ou abertamente." Ela perverte o texto anterior, visando à ironia ou à crítica.
Ela acontece no famoso poema de Carlos Drummond de Andrade No Meio do Caminho, que faz uma paródia do soneto Nel Mezzo del Camin, de Olavo Bilac que, por sua vez, remete ao primeiro verso da Divina Comédia, de Dante Alighiere: "Nel mezzo del camin de nostra vita".
Além do título, Drummond imitou o esquema retórico do soneto de Bilac, ou seja, em vez de parodiar o significado, promoveu um paródia na forma: empenhou-se na imitação irônica da estrutura, reproduzindo apenas o quiasmo (repetição invertida) do texto.
Pastiche - O pastiche pode ser plágio, por isso tem sentido pejorativo, ou é uma recorrência a um gênero. A estética clássica, por exemplo, promovia o pastiche e não era desdouro fazer isso. O pastiche insiste na norma a ponto de esvaziá-la, como acontece com o dramalhão, que leva o gênero drama às últimas conseqüências.
É bom esclarecer que a questão da originalidade e da autenticidade nas artes nasceu com o Romantismo, cuja concepção artística era que a obra expressasse a subjetividade do autor.
Tradução - a tradução está no campo da intertextualidade porque implica em recrição de um texto.
Veja o poema "O Corvo" de Edgar Alan Poe traduzido por dois escritores da língua portuguesa:

Once upon a midnight dreary, while i ponde-red
weak ande weary
Over many a quaint and curious volume of for-got-
tem lore, while i modded, neraly napping, su-ddenly
there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at may
chamber door
Only this and nothing more.
(Edgar A. Poe)

1
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
‘Uma visita’ eu me disse, ‘está batendo a meus umbrais
E só isto, e nada mais.

(Tradução de Fernando Pessoa)
2
Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
‘É alguém quje me bate à porta de mansinho:
Há de ser isso e nada mais.

(Tradução de Machado de Assis)

O poema é o mesmo, mas Machado de Assis traduziu do francês para o português, enquanto Fernando Pessoa partiu direto do inglês, por isso as traduções ficaram bem diferentes, embora a essência dele continue nos dois textos traduzidos.
Referência e Alusão - Machado de Assis é mestre nesse tipo de intertextualidade. Ele foi um escritor que visualizou o valor desse artifício no romance bem antes do Modernismo. No romance "Dom Casmurro", ele cita Otelo, personagem de Shakespeare, para que o leitor analise o drama de Bentinho.
Fonte: adaptado da Wikipedia e do Prof. Hélio Consolaro em http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=literatura/docs/intertext, que, por sua vez, se baseou no livro "Intertextualidades: Teoria e Prática", vários autores.
Aliás, a bibliografia, também é uma forma de referência:
Paulino, Graça; Walty, Ivete; Cury, Maria Zilda Cury. Intertextualidades: Teoria e Prática, 1ª edição, Belo Horizonte-MG, Editora Lê, 1995.

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Primeira proposta de redação

***

Quem merece o título de país do futuro?

No início da década de 70, a economia brasileira crescia anualmente a taxas superiores a 10%, e o Brasil estava destinado a ser o país do futuro como previa o general Médici, presidente da época.

Mas as duas décadas perdidas, que vieram após o período conhecido como "milagre econômico", fizeram com que a expressão, que um dia deu orgulho aos brasileiros, passasse a ser usada com ironia dentro e fora do Brasil, que passou a ser chamado de eterno país do futuro.

Ao mesmo tempo em que o Brasil vivia duas décadas de crescimento medíocre, a China de Deng Xiaoping se abria para o mundo e começava pouco a pouco a pular degraus no ranking dos países mais ricos: hoje já é a sexta maior economia do mundo e cresce anualmente a taxas superiores a 7%.

Será que o Brasil, que caiu recentemente da oitava para a décima posição no ranking das economias mundiais, consegue reagir e superar a China? Por que a China avança enquanto o Brasil pouco evolui? Será que o Brasil de Lula vai reverter esse quadro?

BBC Brasil, 06 de janeiro, 2003

***

À sombra do passado
Os 125 anos de nascimento de Stefan Zweig fazem um bom momento para relembrar os 65 anos de Brasil, país do futuro

Brasil, país do futuro: o título do livro escrito há 65 anos por Stefan Zweig (1881-1942) transformou-se, no imaginário nacional, quase como se fosse uma maldição que, após ser conjurada pelo pobre escritor austríaco, nos tivesse deixado presos num limbo de eterno “vir a ser”, sem nunca chegar lá.

Revista Pesquisa Fapesp - Edição Impressa 126 - Agosto 2006

***

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

***

Com base nas idéias presentes nos textos acima, redija uma dissertação sobre o tema:

Brasil, país do futuro, os pilares para o desenvolvimento econômico, social e humano.

Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista e suas propostas, sem ferir os direitos humanos.

Observações:

• Seu texto deve ser escrito na modalidade padrão da língua portuguesa.
• O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou narração.
• O texto deve ter, no mínimo, 15 (quinze) linhas escritas.

sábado, 19 de abril de 2008

Exercícios de introdução (II)

Faça introduções de um parágrafo, explicitando o tema e o seu ponto de vista, para as seguintes propostas:

1) A China em conflito, palco dos Jogos Olímpicos 2008
2) Música brasileira - artigo para exportação
3) Os desafios da exclusão digital no Brasil

Não deixe de enviar a redação da semana pelo e-mail redacao.enem@gmail.com, com cópia para enem@mandic.com.br. Ela será encaminhada para uma corretora especializada, avaliada segundo os critérios do ENEM e devolvida para você com comentários que o ajudarão a se preparar para a prova.

As orientações completas estão no link abaixo.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Texto I - Dicionário

A cada uma das palavras listadas em um dicionário ou enciclopédia chamamos de verbete.

Uma mesma palavra pode ter vários sentidos, que também podem ser chamados de significados, definições ou acepções. A este fenômeno dá-se o nome de polissemia. Para ficar bem claro. O que é polissemia? Do grego, poli = vários e semia = significado. Portanto, polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar vários significados. Pode parecer simples, mas esta noção é fundamental para a boa interpretação de textos.

Ao procurar entender um termo específico em um texto, buscamos, através do contexto, descobrir o sentido em que essa palavra está empregada. O termo contexto tem muitas definições, algumas, inclusive que originaram importantes estudos teóricos em vários campos do conhecimento, mas, em linhas gerais, podemos considerar que contexto é a relação entre o texto (ou uma palavra, ou um evento, ou um fenômeno etc.) e a situação em que ele ocorre. Podemos expandir a idéia de situação para cenário ou aquilo que está em volta ou por trás ou ainda que ocorre simultaneamente e tem relação direta com o elemento que estamos analisando.

Uma boa maneira de ampliar o vocabulário é consultar o dicionário toda vez que se deparar com uma palavra desconhecida. Quanto mais vocábulos soubermos, melhores leitores nos tornaremos e melhor dominaremos a língua.

Tomemos um exemplo.

Violência

Acepções
■ substantivo feminino
1 qualidade do que é violento
Ex.: a v. da guerra
2 ação ou efeito de violentar, de empregar força física (contra alguém ou algo) ou intimidação moral contra (alguém); ato violento, crueldade, força
Ex.:
3 exercício injusto ou discricionário, ger. ilegal, de força ou de poder
Ex.: v. de um golpe de Estado
3.1 cerceamento da justiça e do direito; coação, opressão, tirania
Ex.: viver num regime de v.
4 força súbita que se faz sentir com intensidade; fúria, veemência
Ex.:
5 dano causado por uma distorção ou alteração não autorizada
Ex.: v. da censura pouco esclarecida
6 o gênio irascível de quem se encoleriza facilmente, e o demonstra com palavras e/ou ações
Ex.: temia a v. com que o avô recebia tais notícias
7 Rubrica: termo jurídico.
constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém, para obrigá-lo a submeter-se à vontade de outrem; coação

Etimologia(*)
lat. violentìa,ae 'violência, impetuosidade (do vento), ardor (do sol); arrebatamento, caráter violento; ferocidade, sanha; rigor, severidade', der. de violéntus,a,um 'impetuoso, furioso, arrebatado'; ver 1viol-; f.hist. sXV violemçia, sXV vyolencia

Sinônimos(**)
ver sinonímia de fúria

Antônimos(***)
brandura, doçura; ver tb. antonímia de fúria

Fonte: Dicionário Houaiss da língua portuguesa

(*) Etimologia é a parte da gramática que trata da história ou origem das palavras e da explicação do significado de palavras através da análise dos elementos que as constituem.

(**) Sinônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado idêntico ou muito semelhante à outra. Exemplos: carro e automóvel, cão e cachorro.

(***) Antônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado contrário (também oposto ou inverso) à outra. Exemplos: quente e frio, bem e mal, bom e mau.

Dicionários de Português na Internet

O Houaiss é, na minha opinião, o melhor dicionário da Língua, tendo superado o Caldas Aulete, edição portuguesa, em cinco volumes. Suas definições passeiam pelo significado das palavras, respeitando a amplitude dos vocábulos, sem serem tão taxativas, como no Aurélio. Na web, o Houaiss está disponível para os assinantes do provedor UOL (acesso pago).

A Wikipédia diz sobre ele:

"O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, por Antônio Houaiss (1915 – 1999), filho de imigrantes libaneses e antigo Ministro da Cultura do Brasil, foi criado com o apoio de quase duas centenas de lexicografos de vários países e é o dicionário de língua portuguesa mais completo (cerca de 228 500 entradas, 376 500 acepções, 415 500 sinónimos, 26 400 antónimos e 57 000 palavras arcaicas). Inclui todas as variações da língua portuguesa: africanismos, asiacismos, brasileirismos e lusismos. Dedicando a sua vida à língua, Houaiss começou o seu trabalho em 1986, e morreu um ano antes do dicionário ser acabado pelos seus colegas, no ano 2000, sem ver o seu sonho tornar-se realidade. O dicionário está rapidamente a tornar-se uma referência na língua, sendo até classificado por alguns como um 'monumento à língua'."

http://www.uol.com.br/houaiss

Um dos melhores dicionários da Língua Portuguesa, o Caldas Aulete, editado no Brasil até os anos 80, volta em versão on-line, gratuita e colaborativa (wiki). O projeto desenvolvido pela Lexikon é ambicioso. Quer ser “uma obra aberta, viva, mudando e crescendo junto com a língua, e com isso tornar-se o maior banco de dados do idioma”.

Em http://www.auletedigital.com.br/

É necessário instalar um executável.

Outra opção, incompleta mas gratuita, é o Priberam. Apesar do número de palavras ser pequeno, comparando com o Houaiss, há recursos incríveis. O mais interessante e útil deles é a conjugação de verbos. Basta digitar o verbo no infinitivo - amar, por exemplo -, e logo aparece um link com a opção "conjugar". Após o clique, o site exibe as flexões em todos os tempos, para todas as pessoas. A página web conta também com um corretor ortográfico, com opção para o Português do Brasil ou para o, de Portugal. Não recomendo a utilização desse recurso para os alunos que estão se preparando para exames. Correções automáticas nos acostumam mal. É importante conhecer as próprias deficiências em ortografia e, na hora da prova, vai ter de saber escrever corretamente. Portanto, o que vale é a boa e velha memória. O banner do corretor ortográfico é muito criativo. Exibe a frase "Herrar é umano", para logo depois corrigí-la para "Errar é humano". O Priberam apresenta ainda uma pequena gramática disponível para consulta.



O mais famoso dos dicionários da Língua Portuguesa, o Aurélio Buarque de Hollanda, continua na web, com uma versão muito bem resolvida, infelizmente disponível apenas para assinantes pagos dos produtos iG, iBest e BrTurbo. Gosto muito de uma máxima deste dicionarista que diz: "definir uma palavra é capturar uma borboleta no ar".

Texto II - Enciclopédia

Uma enciclopédia (do grego antigo εγκυκλοπαιδεία, πγκυκλο ["geral"] + παιδεία ["conhecimento"]) é um vasto conjunto de todos os conhecimentos humanos; obra que trata de todas as ciências e artes em geral. Pode ser considerada uma espécie de livro de referência para praticamente qualquer assunto do domínio humano.

Enciclopédias podem ser genéricas, contendo artigos sobre os mais variados temas (como a Encyclopaedia Britannica), ou podem ser especializadas em um determinado assunto (como uma enciclopédia médica ou matemática).

O termo enciclopédia só começou a ser usado no século XVI, embora trabalhos de formato enciclopédico já fossem conhecidos em épocas anteriores.

Fonte: Wikipedia, em http://pt.wikipedia.org/wiki/Enciclop%C3%A9dia

Vejamos como aparece descrito o verbete “violência” na mesma enciclopédia on-line:

Violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto. Nega-se autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado. O termo deriva do latim violentia (que por sua vez o amplo, é qualquer comportamento ou conjunto de deriva de vis, força, vigor); aplicação de força, vigor, contra qualquer coisa ou ente.

Assim, a violência diferencia-se de força, palavras que costuma estar próximas na língua e pensamento cotidiano. Enquanto que força designa, em sua acepção filosófica, a energia ou "firmeza" de algo, a violência caracteriza-se pela ação corrupta, impaciente e baseada na ira, que não convence ou busca convencer o outro, simplesmente o agride.

Existe violência explícita quando há ruptura de normas ou moral sociais estabelecidas a esse respeito: não é um conceito absoluto, variando entre sociedades.

Fonte: Wikipedia – http://pt.wikipedia.org

Texto III - Notícia

Segundo o Manual de Redação do jornal O Globo, notícia é o registro dos fatos, de informações de interesse jornalístico, sem comentários. Fatores objetivos determinam a publicação de uma notícia: o caráter inédito; o impacto que exerce sobre as pessoas e sobre sua vida; a curiosidade que desperta; a imprevisibilidade e improbabilidade do fato. A notícia tem caráter mais informativo do que opinativo. Sua linguagem é objetiva.

Veja um exemplo.

Expansão urbana caótica estimula crime nas grandes cidades

NAIRÓBI (AFP) — Os números de crimes estão aumentando nas cidades de todo o mundo e agora afetam mais da metade dos moradores das zonas urbanas dos países em desenvolvimento, afirmou nesta segunda-feira a agência da ONU para assentamentos humanos, a UN-habitat, destacando ainda que Rio de Janeiro e São Paulo são responsáveis por mais da metade da violência do Brasil.

As taxas dos crimes globais aumentaram cerca de 30% entre 1980 e 2000, o que equivale a 3.000 crimes a mais por cada grupo de 100.000 pessoas, alertou o relatório desta agência da ONU sediada em Nairóbi.

Nos últimos cinco anos, 60% das cidades de países em desenvolvimento foram vítimas de crime, segundo dados deste documento que atribuía a tendência de aumento da violência principalmente à rápida e caótica urbanização.

"A violência urbana e o crime estão aumentando mundialmente, dando impulso a um medo generalizado e tirando investimentos de muitas cidades", lamentou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, citado no estudo.

"Isto é especialmente verdade na África, América Latina e no Caribe".

Na América Latina, onde 80% da população é urbana, a expansão rápida de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Cidade do México e Caracas são responsáveis de mais da metade da violência em seus respectivos países.

O relatório, intitulado "Enhancing Urban Safety and Security: Global Report on Human Settlements 2007" afirma que mais da metade da população mundial agora vive em cidades, alem de apontar para um declínio na violência urbana na América do Norte e no Leste Europeu.

No entanto, mais da metade das cidades tanto de países ricos ou pobres têm medo de crimes "o tempo todo" ou "muito freqüentemente", relatou o documento, citando a opinião de entrevistados.

Pessoas pobres que vivem em favelas são mais afetadas pelo aumento da criminalidade, assim como os quase 100 milhões de crianças de rua nas cidades do mundo.

"A insegurança afeta os pobres mais intensamente", afirmou Anna Tibaijuka, diretora da UN-Habitat. "Isto desfaz laços socioculturais e impede a mobilidade social".

O relatório, divulgado exatamente no Dia Mundial da Habitação, em 1° de outubro, pede um plano urbano efetivo e um governo eficaz como medidas chave para a prevenção de crimes.
Fonte: AFP.

O texto jornalístico

Um bom texto jornalístico depende, antes de mais nada, de clareza de raciocínio e domínio do idioma. Não há criatividade que possa substituir esses dois requisitos.

Deve ser um texto claro e direto. Deve desenvolver-se por meio de encadeamentos lógicos. Deve ser exato e conciso. Deve estar redigido em nível intermediário, ou seja, utilizar-se das formas mais simples admitidas pela norma culta da língua. Convém que os parágrafos e frases sejam curtos e que cada frase contenha uma só idéia. Verbos e substantivos fortalecem o texto jornalístico, mas adjetivos e advérbios, sobretudo se usados com freqüência, tendem a piorá-lo.

O tom dos textos noticiosos deve ser sóbrio e descritivo. Mesmo em situações dramáticas ou cômicas, é essa a melhor maneira de transmitir o fato da emoção. Deve evitar fórmulas desgastadas pelo uso e cultivar a riqueza dos vocábulos acessíveis à média dos leitores.

O autor pode e deve interpretar os fatos, estabelecer analogias e apontar contradições, desde que sustente sua interpretação no próprio texto. Deve abster-se de opinar, exceto em artigo ou crítica.

Fonte: Novo Manual da Redação da Folha de São Paulo, em http://www1.folha.uol.com.br/folha/circulo/manual_texto_introducao.htm

Redação - Objetividade x Subjetividade

Ao expor um problema, ao discutir um assunto, você pode agir de duas maneiras: objetiva ou subjetivamente.

Objetivamente: se a exposição do assunto se apresentar impessoal, marcada pela presença do raciocínio e da lógica universal – quando o assunto for abordado e discutido de maneira genérica, com idéias e posicionamentos que possam ser aceitos por todos, ou por uma maioria.

Essa redação tem por finalidade básica instruir e/ou convencer o leitor. As idéias e o modo de se analisar e enfocar os problemas são pessoais, mas a colocação disso tudo dentro da redação deve se feita de modo impessoal: verbo na 3ª pessoa ou na 1ª do plural – afinal, “nós” não sou eu, mas somos todos.

Subjetivamente: caso predominem, na exposição das idéias, suas próprias opiniões, sua maneira pessoal, particular de ver e encarar as coisas. Essa modalidade depende, essencialmente, do tema dado, o que estar próximo da subjetividade. De um modo geral, ela deve ser evitada por aproximar-se demasiadamente da narração, através dos seus subtipos, como a crônica, por exemplo.

Na redação subjetiva, procura-se antes de tudo, angariar a simpatia do leitor com a redação ao exposto. Daí que, para fazê-lo baseamo-nos essencialmente em nossas opiniões; no nosso modo particular de ver as coisas; no nosso pensar em relação aos fatos; deixando transparecer, muitas vezes, um tom confessional, pontilhado de emoção e sentimentalismos: verbo na 1ª pessoa do singular – EU.

O ideal seria que se unissem num só os dois modelos, escrevendo, num tom impessoal, idéias efervescentes de características emotivas que pudessem tocar o leitor, derrubando-o do seu papel tirano de riscar, corrigir, apontar defeitos, afinal ele é “gente como nós”.

Ensino Dinâmico de Pesquisa, Sorocaba – São Paulo: DCL, Difusão Cultural do Livro, 1999, p.59 e 60.