sábado, 29 de março de 2008
quarta-feira, 19 de março de 2008
Língua Portuguesa
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Olavo Bilac
O que é polissemia?
Em outras palavras, polissemia é a multiplicidade de sentidos de uma palavra ou locução.
Fonte: HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
poli = vários.
semia = significado
polissemia: vários significados para uma mesma palavra.
Um dos campeões da polissemia é o verbo "ter".
Veja os significados que ele adquire no texto abaixo.
Vamos, carioca
sai do teu sono devagar
o dia já vem vindo
aí o sol já vai raiar
São Jorge, teu padrinho
te dê cana pra tomar
Xangô, teu pai
te dê muitas mulheres para amar
ê, vida tão boa
só coisa boa pra pensar
sem ter que pagar nada
céu e terra, sol e mar
e ainda ter mulher
e ter o samba pra cantar
o samba que é o balanço
da mulher que sabe amar.
Na segunda vez que surge na letra ("e ainda ter mulher e ter o samba..."), o verbo "ter" adquire outro sentido. Agora, transmite-se a idéia de posse.
Vocabulário
Agreste: que ou o que se refere aos campos; silvestre, selvagem
Arrolo: canto para adormecer crianças; arrulho, cantiga de acalanto
Clangor: som forte, estridente, como o de alguns instrumentos metálicos de sopro (trombeta, trompa etc.)
Ganga: tecido vulgar, ger. azul ou amarelo, que antigamente se fabricava na Índia
Gênio:
1 espírito que, segundo os antigos, regia o destino de um indivíduo, de um lugar etc., ou que se supunha dominar um elemento da natureza, ou inspirar as artes, as paixões, os vícios etc.
2 aptidão natural para algo; dom
Ex.: ter o g. dos negócios
3 extraordinária capacidade intelectual, notadamente a que se manifesta em atividades criativas Ex.: o g. de Mozart
4 indivíduo dotado dessa capacidade
Ex.: Leonardo da Vinci era um g.
5 conjunto dos traços psíquicos e fisiológicos que moldam o temperamento e o humor de cada pessoa
Ex.: homem de g. pacato
6 tendência a irritar-se ou encolerizar-se facilmente; irascibilidade
Ex.: casou-se com homem de g. terrível
7 aquilo que é distintivo numa nação, num povo
Ex.: o g. latino
Procela: forte tempestade no mar com vento intenso e grandes ondas; tormenta
Silvo: apito, assobio, assovio
Trom:
1 Rubrica: armamento. Diacronismo: antigo.
máquina de guerra, espécie de catapulta, us. para arremessar pedras
2 Rubrica: armamento. Diacronismo: antigo.
o canhão
3 o estrondo de canhão ou de qualquer peça de artilharia
4 Derivação: por extensão de sentido.
grande ruído
5 Derivação: por analogia.
estrondo provocado por descarga elétrica na atmosfera; trovão
Tuba: trombeta de metal composta de um tubo reto, longo e estreito
Ventura: sorte (boa ou má); fortuna, destino, acaso
Viço:
1 excesso de carinho; regalo, mimo
2 a força vegetativa das plantas manifestada no seu crescimento, cores e exuberância
3 a presença de plantas saudáveis, viçosas em determinado solo
4 energia vital; força, vigor
5 caráter do que é jovem, que tem o vigor juvenil; frescura, frescor
6 força e vigor que o bom tratamento confere aos animais
7 m.q. vício
Última flor do Lácio

Olavo Bilac
http://www.biblio.com.br/conteudo/OlavoBilac/OlavoBilac.htm
terça-feira, 18 de março de 2008
A Língua
“Linguagem é a faculdade que o homem tem de se exprimir e comunicar por meio da fala.
Cada povo exerce essa capacidade por meio de um determinado código lingüístico, ou seja utilizando um sistema de signos vocais distintos e significativos, a que se dá o nome de língua ou idioma.
Criação social da mais alta importância, a língua é por excelência o veículo do conhecimento humano e a base do patrimônio cultural de um povo.
A utilização da língua pelo indivíduo denomina-se fala. A fala nasce da inelutável necessidade humana de comunicação.
A comunicação lingüística se realiza por meio da expressão oral ou escrita.
A língua não é um sistema intangível, imutável; como toda criação humana, está sujeita à ação do tempo e do espaço geográfico, sofre constantes alterações e reflete forçosamente as diferenças individuais dos falantes. Daí a existência de falares regionais e de vários níveis de fala culta, popular, coloquial, etc.”
sábado, 15 de março de 2008
Exercício - dissertação (tema b)
A proposta é explicar por que o brasileiro gosta tanto de futebol.
Não deixe de enviar a redação da semana pelo e-mail redacao.enem@gmail.com, com cópia para enem@mandic.com.br. Ela será encaminhada para uma corretora especializada, avaliada segundo os critérios do ENEM e devolvida para você com comentários que o ajudarão a se preparar para a prova.
As Pérolas do Orkut (Orkutopia)
Vídeo curta-metragem documental de autoria de nosso ex-aluno Jamal de Ponta Porã. O orkut dele é http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=4534550322465415130.
O vídeo foi exibido por seu conteúdo educacional, que mostra os erros de português na Internet e os abusos cometidos em nome da "egolatria", ensinando os usuários a denunciá-los. Não contém nenhum conteúdo explícito ou impróprio para menores. Reflete apenas parte do que está sendo produzido pelos próprios jovens na Web. Há diversos temas relevantes e que são assuntos pertinentes ao ENEM.
terça-feira, 11 de março de 2008
Estudantes brasileiros terão aulas de história afro e indígena
Da Agência Estado
Os alunos do ensino fundamental e médio das escolas públicas e particulares do país passarão a ter aulas de história e cultura afro-brasileira e indígena. A lei que oficializa a nova disciplina foi sancionada pelo presidente Lula e passa a vigorar imediatamente. No entanto, segundo o Ministério da Educação, o início da nova matéria depende ainda do desenvolvimento do material didático e da formação de professores. A legislação anterior previa a obrigatoriedade do ensino sobre história e cultura afro-brasileiras. A proposta destaca também a contribuição dos índios para a formação social, econômica e política brasileira.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Novidades sobre como financiar a faculdade
http://www.midiamax.com/view.php?mat_id=316273
sábado, 23 de fevereiro de 2008
2001 - Uma Odisséia no Espaço
Aqui está um trecho do filme de Stanley Kubrick, que vimos hoje na aula, simbolizando o nascimento da cultura, quando o homem adquire o domínio sobre a natureza e passa de presa a predador. Descobre, ao mesmo tempo, a ferramenta e a arma.
Exercício de redação
Leia novamente no link abaixo o fragmento de "Campo Geral" de Guimarães Rosa em que Miguilim põe os óculos pela primeira vez.
http://enemnota100.blogspot.com/2007/04/miguilim.html
Se quiser, use também como motivação as reflexões apresentadas no documentário "Janela da Alma" de João Jardim e Walter Carvalho.
Depoimentos do músico Hermeto Pascoal no filme:
http://www.youtube.com/watch?v=SROVijGD1gw
Depoimentos do prêmio Nobel de Literatura José Saramago no filme:
http://www.youtube.com/watch?v=tkJdqEGU_y8
Depoimentos do cineasta Win Wenders no filme:
http://www.youtube.com/watch?v=9gBEpnpb9ZU
Bom trabalho!
Ao terminar, veja as orientações para o envio do texto no link abaixo.
http://enemnota100.blogspot.com/2007/05/quando-termino-uma-redao-para-onde-eu.html
Miguilim
De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro de roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo.- Deus te abençoe, pequeninho. Como é teu nome?
- Miguilim. Eu sou irmão do Dito.
- E o seu irmão Dito é o dono daqui?
- Não, meu senhor. O Ditinho está em glória.
O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso como nenhum outro. Redizia:
- Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas, que é que há, Miguilim?
Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que o encarava.
- Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa?
- É Mãe, e os meninos...
Estava Mãe, estava tio Terêz, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada. O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo: - "Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora?"
Miguilim espremia os olhos. Drelina e Chica riam. Tomezinho tinha ido se esconder.
- Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí, Miguilim...
E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.
- Olha, agora!
Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava tudo como era, como tinha visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que aquilo era do modo mesmo, só que Miguilim também carecia de usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilim batia descompasso, ele careceu de ir lá dentro, contar à Rosa, à Maria Pretinha, à Mãitina. A Chica veio correndo atrás, mexeu: - "Miguilim, você é Piticego..." E ele respondeu: - "Donazinha..."
Quando voltou, o doutor José Lourenço já tinha ido embora.
- "Você está triste, Miguilim?" - Mãe perguntou.
Miguilim não sabia. Todos eram maiores do que ele, as coisas reviravam sempre dum modo tão diferente, eram grandes demais.
- Pra onde ele foi?
- A foi p'ra a Vereda do Tipã, onde os caçadores estão. Mas amanhã ele volta, de manhã, antes de ir s'embora para a cidade. Disse que, você querendo, Miguilim, ele junto te leva... - O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois aprendia ofício. - "Você mesmo quer ir?"
Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar. Sua alma, até ao fundo, se esfriava. Mas mãe disse:
- Vai, meu filho. É a luz dos teus olhos, que só Deus teve poder para te dar. Vai. Fim do ano, a gente puder, faz a viagem também. Um dia todos se encontram...
Corpo de Baile in Manuelzão e Miguilim, de João Guimarães Rosa, Editora Nova Fronteira, 18ª reimpressão, Rio de Janeiro, 1984.