quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Espaço Machado de Assis (ABL)

Espaço Machado de Assis: Idealizado pela ABL - Academia Brasileira de Letras, possui acervo completo sobre Machado de Assis.

http://www.machadodeassis.org.br/

Aluísio Azevedo (1857-1913)


Aluísio Tancredo Gonçalves Azevedo nasceu a 14 de abril de 1857 em São Luís, capital do Maranhão. Após cursar as primeiras letras no "Liceu Maranhense", foi para o Rio de Janeiro estudar arte na Academia Belas Artes.


Após conhecer o cotidiano e a vida política carioca, passou a trabalhar como chargista em alguns jornais da cidade. Por causa da morte do seu pai em 1878, Aluísio Azevedo retornou a São Luís para tomar conta da família.


Nesse período, atraído pelo jornalismo, passou a escrever em alguns jornais locais, publicou o romance Romântico "Uma Lágrima de Mulher" e colaborou muito na fundação do jornal "O Pensador", que criticava o clero e a sociedade maranhense.

Em 1881 chocou a sociedade local com o lançamento de "O mulato", primeiro romance Naturalista da literatura brasileira. Essa obra, que abordava a questão do preconceito racial, foi muito mal recebida pela sociedade maranhense e Aluísio Azevedo, que já não era visto com bons olhos, tornou-se o "Satanás da cidade". Para se ter uma idéia da indignação causada pela obra, pode-se citar o fato de o redator do jornal "A civilização" ter aconselhado Aluíso a "pegar na enchada, em vez de ficar escrevendo". O clima na cidade ficou tão ruim para o autor que ele decidiu retornar ao Rio de Janeiro.


Nesse lugar, Aluísio tentou sobreviver exclusivamente de seus escritos, porém, como a vida de escritor não lhe deu a estabilidade desejada, abandonou a literatura e ingressou na carreira diplomática. Em 1895 foi nomeado vice-consul e, nessa função, viajou por vários países do mundo. Em 21 de janeiro de 1913 faleceu na cidade de Buenos Aires, Argentina.


Na tentativa de ganhar dinheiro como escritor, Aluísio era obrigado a fazer muitas concessões e a estar sempre publicando alguma coisa. Por isso, pode-se explicar porque sua obra apresenta muitas alternâncias entre romances Românticos, chamadas, pelo próprio autor de "comerciais" e romances Naturalistas, denominados de "artísticos". À essa necessidade de escrever também é atribuído o desnível de qualidade de seus romances.


O Aluísio Romântico, publicou os romances "Uma lágrima de mulher" (1879); "Memórias de um condenado" (ou A condessa Vésper) (1882); "Mistério da Tijuca" (ou Girândola de amores) (1882); "Filomena Borges" (1884); "A mortalha de Alzira" (1894). etc. Essas obras são consideradas como de consumo e, por isso, possuem pouco valor literário. Já o Aluísio Naturalista preocupou-se em interpretar a realidade de uma camada social marginalizada, em franco processo de degradação. Além disso, defendeu os ideais Republicanos e criticou clero e a burguesia. Os romances Naturalistas publicados pelo autor foram o seguintes: "O mulato" (1881); "Casa de pensão" (1884); "O homem" (1887); "O cortiço" (1890); e, "O coruja" (1890).


Extraído de:



Mais em:

A dança de Rita Baiana

Firmo principiava a cantar o chorado, seguido por um acompanhamento de palmas.

Jerônimo levantou-se, quase que maquinalmente, e seguido por Piedade, aproximou-se da grande roda que se formara em torno dos dois mulatos. Ai, de queixo grudado às costas das mãos contra uma cerca de jardim, permaneceu, sem tugir nem mugir, entregue de corpo e alma àquela cantiga sedutora e voluptuosa que o enleava e tolhia, como à robusta gameleira brava
o cipó flexível, carinhoso e traiçoeiro.

E viu a Rita Baiana, que fora trocar o vestido por uma saia, surgir de ombros e braços nus, para dançar. A lua destoldara-se nesse momento, envolvendo-a na sua coma de prata, a cujo refulgir os meneios da mestiça melhor se acentuavam, cheios de uma graça irresistível, simples, primitiva, feita toda de pecado, toda de paraíso, com muito de serpente e muito de mulher.

Ela saltou em meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal, num requebrado luxurioso que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda, como se se fosse afundando num prazer grosso que nem
azeite, em que se não toma pé e nunca se encontra fundo. Depois, como se voltasse à vida, soltava um gemido prolongado, estalando os dedos no ar e vergando as pernas, descendo, subindo, sem nunca parar com os quadris, e em seguida sapateava, miúdo e cerrado, freneticamente, erguendo e abaixando os braços, que dobrava, ora um, ora outro, sobre a nuca, enquanto a carne lhe fervia toda, fibra por fibra, tirilando.

Em torno o entusiasmo tocava ao delírio; um grito de aplausos explodia de vez em quando, rubro e quente como deve ser um grito saído do sangue. E as palmas insistiam, cadentes, certas, num ritmo nervoso, numa persistência de loucura. E, arrastado por ela, pulou à arena o Firmo, ágil, de borracha, a fazer coisas fantásticas com as pernas, a derreter-se todo, a sumir-se no chão, a ressurgir inteiro com um pulo, os pés no espaço, batendo os calcanhares, os braços a querer fugirem-lhe dos ombros, a cabeça a querer saltar-lhe. E depois, surgiu também a Florinda, e logo o Albino e até, quem diria! o grave e circunspecto Alexandre.

O chorado arrastava-os a todos, despoticamente, desesperando aos que não sabiam dançar. Mas, ninguém como a Rita; só ela, só aquele demônio, tinha o mágico segredo daqueles movimentos de cobra amaldiçoada; aqueles requebros que não podiam ser sem o cheiro que a mulata soltava de si e sem aquela voz doce, quebrada, harmoniosa, arrogante, meiga e suplicante.

E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma pelos olhos enamorados.

Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

Excerto de O Cortiço, Aluísio Azevedo

Raul Pompéia (1863 -1895)


Veja em
http://educaterra.terra.com.br/literatura/realnaturalismo/realnaturalismo_19.htm

Obra principal
O Ateneu (1888)

Iniciador da ficção impressionista no Brasil

Mais sobre o autor:

Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Raul_Pompéia
Academia Brasileira de Letras - http://www.biblio.com.br/conteudo/raul_pompeia/RaulPompeia.htm

Crença em messias português gerou três massacres no Nordeste


Antonio Carlos Olivieri
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Homenagem aos 80 anos de Ariano Suassuna, que se completam a 16 de junho de 2007, a microssérie "Pedra do Reino" que estreou na Rede Globo no dia 12 de junho, nos remete a dois episódios históricos extraordinários, que não devem ficar subentendidos nas entrelinhas da trama do espetáculo televisivo.

O primeiro deles, diretamente ligado ao seriado, aconteceu entre 1835 e 1838, no sertão de Pernambuco, em região que atualmente pertence ao município de São José de Belmonte, a 479 quilômetros de Recife. Lá se erguem dois pináculos rochosos paralelos, com cerca de cinco metros de altura, incrustados de minérios que refletem a luz do Sol.

Sobre estes fatos, não só Suassuna escreveu essa obra-prima que é "O Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e Volta". Além dele, Euclides da Cunha também faz menção ao fato em "Os Sertões", bem como José Lins do Rego dedicou um romance ao tema, intitulado "Pedra Bonita".

Dom Sebastião, o Desejado
Mas os fatos trágicos e sangrentos que aconteceram na Pedra Bonita, no século 19, estão ligados a outros, não menos trágicos e sangrentos, que ocorreram em Portugal e no Marrocos, no século 16. Estes deram origem a um fenômeno mitológico-religioso chamado sebastianismo, um messianismo lusitano, que também se arraigou no sertão nordestino desde a época da Colônia.

Grosso modo, messianismo é a crença na vinda de um messias, de um redentor, que vai redimir os homens de seus pecados e conduzi-los a um outro reino ou mundo, onde a felicidade prevalece. O messianismo sebastianista foi gerado a partir de diversas circunstâncias históricas.

Governado por dom João 3º, o rei que deu início à colonização do Brasil, Portugal corria o risco de ver seu trono parar nas mãos de um espanhol, caso o monarca não deixasse um sucessor ou herdeiro. O nascimento de um neto de dom João - dom Sebastião - em 1554 resolveu temporariamente o problema.

Ainda antes de nascer, dom Sebastião se tornou conhecido por "o Desejado", uma vez que personificava o desejo coletivo de independência portuguesa. Aos três anos foi aclamado rei de Portugal, embora o governo propriamente dito ficasse nas mãos de um regente, até que ele atingiu os 14 anos e subiu ao trono.

Ascenção aos céus e o Quinto Império.
Entre outros presentes que recebeu, então, ganhou de um poeta uma singela obra que lhe foi dedicada: nada menos que a maior epopéia da língua portuguesa, "Os Lusíadas", que Luís de Camões lhe ofertou. Mas nem tudo foi esplendor na vida de dom Sebastião. Profundamente religioso, animado pelas histórias heróicas de combate contra os muçulmanos, o jovem soberano resolveu conquistar o Marrocos para a cristandade.

Na batalha de Alcácer-Quibir, contra os mouros, em 1578, foi morto com a maioria das tropas lusitanas. Para os portugueses o trauma foi enorme, até porque, dois anos depois, o trono luso passaria às mãos do rei Felipe 2º da Espanha. A reação da nação lusitana aos fatos se deu no nível do imaginário e nasceu um mito.

Segundo a lenda, em meio ao caos da batalha no Marrocos, os céus se abriram e uma legião de anjos levou dom Sebastião para o lado de Deus, de onde ele haveria de retornar, como redentor do povo português. O Quinto Império - reinado mítico de dom Sebastião - se caracterizaria pela justiça e a fartura.

O monarca no Nordesde
Pois bem, esse mito foi trazido pelos colonizadores ao Nordeste do Brasil e também comoveu os habitantes da região, uma vez que, como Portugal, a colônia brasileira permaneceu sob domínio espanhol até 1640.

As manifestações coletivas do sebastianismo em solo brasileiro, porém, só aconteceriam no século 19, em Pernambuco e na Bahia. Foram os episódios do Rodeador, no atual município de Bonito (PE), em 1819, o Reino da Pedra Bonita, já mencionado no início, e a Guerra de Canudos, de 1897-98.

Todos eles são manifestações de religiosidade e de insatisfação social de populações carentes, e tiveram desfecho trágico, com a intervenção do governo para acabar - a bala - com os agrupamentos que se formaram em torno dos "profetas" sertanejos. Na impossibilidade de comentar cada um deles, relate-se o caso de Pedra Bonita.

Sebastianismo caboclo
Em 1836, o mameluco João Antônio dos Santos passou a pregar que dom Sebastião estava encantado na Pedra Bonita, de onde era necessário libertá-lo, para que ele implantasse um reino de justiça, prosperidade e liberdade no sertão. Supõe-se que Santos não acreditava muito no que dizia e se aproveitava da credulidade da população local.

No entanto, o "reino" de João Antônio incomodou os fazendeiros, que perdiam seus trabalhadores para a Pedra Bonita, e a Igreja, que via a manifestação como blasfêmia. João Antônio fugiu do local e "exilou-se" no Ceará. Mas manteve viva a chama do sebastianismo em Pedra Bonita, por meio de seu cunhado João Ferreira.

Ao contrário de seu antecessor, Ferreira era um fanático, além de maníaco sexual. Para se ter uma idéia, todas as noivas de sua comunidade tinham que dormir com ele na primeira noite antes de casar-se. Ferreira, ademais, já era um polígamo consumado, tendo se casado com sete mulheres.

O delírio místico do auto-intitulado rei João Ferreira teve seu ápice quando ele proclamou que a Pedra só se desencantaria quando lavada por sangue. Os sacrificados ressuscitariam poderosos e imortais. A noção de fanatismo é suficientemente conhecida em nossa era de homens-bomba. Fanáticos não hesitam em dar a vida por suas crenças.

Sangue e fogo
O pai de João Ferreira foi o primeiro a se suicidar. Uma das mulheres do líder foi degolada por ele mesmo. A Pedra foi, de fato, lavada com sangue, mas não se desencantou. Foi o que bastou para Pedro Antônio, um cunhado de Ferreira, declarar que a Pedra reclamava o sacrifico do próprio rei. João Ferreira foi brutalmente assassinado pelos seus seguidores e Pedro Antônio proclamou-se o novo rei.

Contudo, um vaqueiro que presenciara os primeiros sacrifícios denunciou a tragédia às autoridades e uma tropa de 30 homens, comandada pelo major Manuel Pereira da Silva, dirigiu-se ao local para dispersar os fanáticos. Houve resistência e 30 fanáticos morreram, inclusive Pedro Antônio. Era o fim do Reino da Pedra Bonita, em maio de 1838.

A crença em dom Sebastião, entretanto, sobreviveu e se manifestaria nas pregações de Antônio Conselheiro, cerca de 40 anos depois. Seitas messiânicas, embora não sebastianistas, estiveram presentes em outras épocas e regiões tanto do Brasil quando do mundo. É célebre o caso do missionário norte-americano Jim Jones que, em 1978, levou 900 seguidores seus ao suicídio, numa comunidade na Guiana Francesa.

Em 1993, nos Estados Unidos, David Koresh, que se intitulava a reencarnação de Jesus, promoveu um verdadeiro inferno no rancho de madeira, onde ficava a seita Branch Davidian. Seduzindo os seguidores com a filosofia de que deveriam morrer para depois ressuscitar das cinzas, derramou combustível no rancho e ateou fogo, matando 80 pessoas, incluindo 18 crianças.

Banco de Redações do UOL

O UOL lança nesta quarta-feira (15) um serviço de correção de redações para ajudar os estudantes a se prepararem para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e para vestibulares de todo o país.

Batizado de Banco de redações - http://noticias.uol.com.br/educacao/bancoderedacoes, o serviço vai possibilitar ao internauta um aprofundamento de seus estudos de produção de textos, em especial do gênero dissertativo. Para participar, o estudante deve enviar uma redação sobre o tema proposto no mês, com no máximo 20 linhas.

Nesta semana de estréia, os internautas terão prazo até o próximo dia 20 para enviar os textos pelo e-mail bancoderedacoes@uol.com.br, indicado na página inicial do site. Professores associados ao banco vão selecionar e comentar 20 textos, que serão publicados no site no dia 22. Apenas os textos selecionados serão corrigidos. Caso a redação seja escolhida, a equipe do Banco de redações entrará em contato, solicitando autorização para publicá-la.

A correção trará nota e comentários baseados nos critérios adotados pelo MEC (Ministério da Educação) para a correção do Enem. Os critérios envolvem cinco competências básicas. Passado o Exame Nacional do Ensino Médio de 2007, o Banco de redações continuará aberto à participação dos usuários, visando atender outros exames vestibulares.

Todos os meses serão apresentadas novas propostas e selecionados 20 textos, independente da qualidade. A idéia não é focalizar somente os trabalhos bem-feitos, mas indicar uma mostra de redações classificadas pelos desempenhos satisfatório, bom, regular, fraco e insatisfatório - expressões do próprio Enem.

Pretende-se deixar claro ao estudante o que é esperado de sua redação e evidenciar as características que levam um texto a ser considerado satisfatório ou fraco, bom ou regular.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/educacao/ultnot/ult105u5709.jhtm

PUC, Unifesp e Unicamp mudam regras para ENEM

14/08/2007 - 10h07

FERNANDA CALGARO
da Folha de S.Paulo

Algumas das principais universidades paulistas trazem novidades neste ano em relação ao uso do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que acontece no próximo dia 26, no seu processo seletivo.

No vestibular 2008, a PUC-SP pela primeira vez irá aceitar o Enem, que passará a valer até 20% da nota geral. "Fizemos uma reflexão e decidimos incluir o Enem por ter se mostrado uma prova de qualidade", diz Ana Zilocchi, coordenadora-geral do vestibular.

Na prova da PUC-SP, a parte dissertativa corresponde a 60% da nota e a prova objetiva, a outros 40%. A pontuação nas questões do Enem representará 50% da prova objetiva - portanto, 20% da nota geral.

A universidade ainda não definiu se poderá ser usada apenas a nota da última prova do Enem ou dos últimos dois anos. "Essa decisão deve ser tomada até o fim deste mês", afirma Ana. "Particularmente, sou favorável a usar somente a nota do último Enem, assim a avaliação fica idêntica para todos."

O período de inscrição para o vestibular unificado da PUC-SP vai de 16/10 a 16/11.

Públicas

A Unifesp aumentou de 5% para 10% a contribuição do Enem na nota de sua prova de conhecimentos gerais. Se antes o vestibulando podia optar se o Enem seria usado ou não na composição da nota do vestibular, agora será necessariamente utilizado se o candidato indicar o número de inscrição do Enem na ficha de inscrição do processo seletivo. "Não podemos ser paternalistas", pondera Luiz Eugênio Araújo de Moraes Mello, pró-reitor de graduação da Unifesp. "Será considerada a melhor nota dos últimos dois anos."

A Unicamp passa a exigir que o candidato interessado em usar na primeira fase do vestibular a nota da parte objetiva do Enem não zere na redação. "A nota da redação do Enem não será usada, apenas a da parte das questões de conhecimentos gerais. O objetivo é estimular os estudantes a participarem efetivamente do Enem e não usá-lo como subterfúgio para obter mais nota", ressalta Leandro Tessler, coordenador-executivo da Comvest (comissão responsável pelo vestibular). A nota do Enem do ano passado poderá ser usada, mesmo se a pessoa tiver zerado na redação.

A Fuvest não fez nenhuma alteração em relação ao ano passado. A nota do Enem pode representar até 20% da nota da primeira fase do vestibular 2008, assim como no processo seletivo da UFABC.

Na Unesp, o Enem continua valendo também até 20% da nota da prova de conhecimentos gerais. A UFSCar não usa o Enem no seu vestibular.
No país, cerca de 500 instituições de educação superior usam, de alguma maneira, os resultados da prova em seus processos seletivos.

sábado, 11 de agosto de 2007

Como é escolhido o tema para a redação no ENEM?

Entrevista com Reginaldo Pinto de Carvalho, coordenador de correção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0086.asp

"Estamos convictos de que os temas propostos devem priorizar questões não só atuais, mas também nacionais. Devem ser, portanto, temas que transcendam a qualquer tipo de regionalização e que tenham circulação garantida nas escolas de nível médio, independentemente de sua localização."

Redação ENEM - grade de correção

Entenda como os corretores irão analisar seu texto.


GRADE DE CORREÇÃO (ENEM)

COMPETÊNCIA 1
DEMONSTRAR O DOMÍNIO DA NORMA CULTA DA LÍNGUA

Domínio precário da norma culta, com graves e freqüentes desvios gramaticais, de escolha de registro e de convenções da escrita.

Domínio razoável da norma culta, com desvios gramaticais, de escolha de registro e de convenções da escrita, pouco aceitáveis nessa etapa de escolaridade.

Bom domínio da norma culta, com pontuais desvios gramaticais e de convenções da escrita.

Muito bom domínio da norma culta, com raros desvios gramaticais e de convenções da escrita.

ASPECTOS DA NORMA CULTA A SEREM CONSIDERADOS:

A- ADEQUAÇÃO DE REGISTRO
_ formal/coloquial
_variante adequada ao tipo de texto e à situação de interlocução

B. NORMA GRAMATICAL
_sintaxe de concordância, regência e colocação
_pontuação
_flexão

C_CONVENÇÕES DA ESCRITA
_escrita das palavras ( ortografia/acentuação)
_maiúsculas e minúsculas

COMPETÊNCIA 2
COMPREENDER A PROPOSTA DE REDAÇÃO E APLICAR CONCEITOS DAS VÁRIAS ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA DESENVOLVER O TEMA, DENTRO DOS LIMITES ESTRUTURAIS DO TEXTO DISSERTATIVO/ARGUMENTATIVO.

Desenvolvimento tangencial do tema e apresentação embrionária do tipo de texto dissertativo/argumentativo; ou desenvolvimento tangencial do tema e domínio razoável do tipo de texto dissertativo-argumentativo; ou desenvolvimento razoável do tema e apresentação embrionária do tipo de texto dissertativo-argumentativo.

Desenvolvimento razoável do tema, a partir de considerações próximas do senso comum e domínio precário do tipo de texto dissertativo.

Desenvolvimento razoável do tema e domínio razoável do tipo de texto dissertativo-argumentativo.

Bom desenvolvimento do tema, a partir de um repertório cultural produtivo e de considerações que fogem ao senso comum, e bom domínio do tipo de texto dissertativo-argumentativo.

ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS:

A- TEMA
_autoria: compreensão do tema, articulação de diferentes perspectivas para defesa de um ponto de vista.
_informatividade.
_utilização de conceitos de várias áreas.
_citações, alusões, analogias, exemplificações, dados e informações.

B- ESTRUTURA
_introdução, desenvolvimento, conclusão
_encadeamento e progressão temática.

COMPETÊNCIA 3:
SELECIONAR, RELACIONAR E INTERPRETAR INFORMAÇÕES , FATOS, OPINIÕES E ARGUMENTOS EM DEFESA DE UM PONTO DE VISTA.

1-Apresenta informações, fatos e opiniões precariamente relacionados ao tema proposto.
2- Apenas apresenta informações, fatos e opiniões, ainda que pertinentes ao tema proposto, ou limita-se a reproduzir os argumentos da proposta de redação.
3-Seleciona informações, fatos, opiniões , argumentos pertinentes ao tema proposto, organizando-os e relacionando-os de forma pouco consistente em relação ao seu projeto de texto.
4-Seleciona, organiza e relaciona de forma consistente, informações, fatos, opiniões e argumentos pertinentes ao tema proposto em defesa do ponto de vista defendido em seu projeto de texto.

ASPECTO A SER CONSIDERADO: COERÊNCIA

COMPETÊNCIA 4:
DEMONSTRAR CONHECIMENTO DOS MECANISMOS LINGÜÍSTICOS NECESSÁRIOS PARA A CONSTRUÇÃO DA ARGUMENTAÇÃO.

1-Desarticulação das partes do texto.
2-Articulação precária das partes do texto, devido a problemas freqüentes na utilização de recursos coesivos.
3-Articulação razoável das partes do texto, com problemas eventuais na utilização dos recursos coesivos.
4-Boa articulação das partes do texto, sem problemas graves na utilização de recursos coesivos.

ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS:

_Coesão lexical: sinônimos, hiperônimos, repetição, reiteração, etc.
_Coesão gramatical: (uso de conectivos, tempos verbais, pontuação, seqüência temporal, relações anafóricas, conectores intersentenciais, interparágrafos, intervocabulares, etc.

COMPETÊNCIA 5:
ELABORAR PROPOSTA DE SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA, MONSTRANDO RESPEITO AOS VALORES HUMANOS E CONSIDERANDO A DIVERSIDADE SOCIOCULTURAL.

1-Não elabora explicitamente uma proposta.
2-Esboça alguma idéias que podem ser o núcleo de uma proposta, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.
3-Elabora proposta genérica de intervenção sobre a problemática desenvolvida, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.
4-Elabora proposta específica, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Resolução de exercícios ENEM 2006

Alguns exercícios do ENEM em resolução comentada:

http://www.lfg.com.br/public_html/article.php?story=20070725201033514

Vai que você está com saudades de mim! risos

sábado, 4 de agosto de 2007

TANTRA - Tropicália

Diálogos culturais


Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, Beatles (disco de 1967), considerado um dos álbuns mais influentes da história da música popular do século XX.



Tropicália ou panis et circencis (disco-manifesto de 1968), obra fundamental da discografia brasileira, que continua celebrada e atual quase 40 anos depois.

Guia do ouvinte: http://www.geocities.com/altafidelidade/trop_panis.htm

(VEJA A RIQUEZA DE DIÁLOGOS NESTE LINK)

A Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural que surgiu sob a influência das correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e a concretismo); mesclou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha também objetivos sociais e políticos, mas principalmente comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso,Torquato Neto, Gilberto Gil, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa).


Fonte: Wikipedia.

Caetano Veloso - É Proibido Proibir

É?


Caetano transforma em happening a apresentação de É Proibido Proibir no III Festival Internacional da Canção, em 15 de setembro de 1968.


É proibido proibir (Caetano Veloso)


A mãe da virgem diz que não

E o anúncio da televisão escrito no portão

E o maestro ergueu o dedo e além da porta

Ao porteiro, sim e eu digo sim

E eu digo não ao não

Eu digo é proibido proibir

É proibido proibir, é proibido proibir...

Me dê um beijo meu amor

Eles estão nos esperando

Os automóveis ardem em chamas

Derrubar as prateleiras, as estantes, as estátuas, as vidraças, louças, livros sim

E eu digo sim, e eu digo não ao não

E eu digo é proibido proibir

É proibido proibir, é proibido proibir

Caí no areal e na hora ad vertis que Deus concede aos seus para o intervalo em que

Esteja a alma imersa em sonhos, que são Deus o que importa o areal, a morte, a desventura

Se com Deus me guardei é o que me sonhei

Que me sonhei que eterno dura é esse que regressarei

Me dê um beijo...


DISCURSO DE CAETANO VELOSO, NO TUCA, EM SÃO PAULO (SP), DURANTE APRESENTAÇÃO DA MÚSICA É PROIBIDO PROIBIR, 28/09/1968



Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês tem coragem de aplaudir este ano uma música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado; são a mesma juventude que vai sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada , absolutamente nada. Hoje não tem Fernando Pessoa! Eu hoje vim dizer aqui que quem teve coragem de assumir a estrutura do festival, não com o medo que sr. Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê-la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa, que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém! Vocês são iguais sabe a quem? São iguais sabe a quem? - tem som no microfone? - Àqueles que foram ao Roda Viva e espancaram os atores. Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada! E por falar nisso, viva Cacilda Becker! Viva Cacilda Becker! Eu tinha -me comprometido em dar esse ‘viva’ aqui, não tem nada a ver com vocês. O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira! O Maranhão apresentou esse ano uma música com arranjo de charleston, sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar, por ser americana. Mas eu e Gil abrimos o caminho, o que é que vocês querem? Eu vim aqui pra acabar com isso. Eu quero dizer ao juri: me desclassifique! Eu não tenho nada a ver com isso! Nada a ver com isso! Gilberto Gil! Gilberto Gil está comigo pra acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com isso tudo de uma vez! Nós só entramos em festival pra isso, não é Gil? Não fingimos, não fingimos que desconhecemos o que seja festival, não. Nínguém nunca me ouviu falar assim. Sabe como é? Nos, eu e ele, tivemos a coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas, e vocês? E vocês? Se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com Gil! Junto com ele, tá entendendo. O juri é muito simpático mas é incompetente. Deus está solto! (Canta trecho de É proibido Proibir) Fora do tom, sem melodia. Como é juri? Não aceitaram? Desqualificaram a melodia de Gilberto Gil e ficaram por fora! Juro que o Gil fundiu a cuca de vocês. Chega!”